A triste experiência com a HBO Max

A triste experiência com a HBO Max

julho 21, 2021 0 Por Gabriel Figueiredo

A Netflix revolucionou o mercado de consumo em filmes e series. Foi uma das primeiras empresas desse nicho a digitalizar seus produtos que, curiosamente eram entregues pelo correio em forma de DVD. Depois, fugindo do monopólio das grandes emissoras, faturar com produções originais que movimentaram e tanto a “cultura pop”. House of cards e Orange is the new black são exemplos diretos disso: Somam entre Emmy e Globo de ouro 12 estatuetas que certamente foi algo inédito, já que competia diretamente com a TV.

Mirando nessas águas e, com um catalogo de tirar o folego – desde sempre com originais excelentes, o que é sua marca registrada – HBO, como um tubarão, mergulhou fundo para tentar pescar e mordiscar o que é um cardume gigantesco de velhos e novos telespectadores. Lançou seu HBO GO, sendo alimentado pelo recente filhote Game Of Thrones. E aí os problemas começam: Alta demanda e um aplicativo péssimo, fez da experiencia do usuário ser a pior possível.

Todo domingo, sem falta, existiam dois sentimentos muito fortes: A ansiedade de poder ver mais um episódio excitante de GOT e a raiva descontrolada de ter que lidar com o péssimo serviço que a toda poderosa entregava. Travamentos constantes e queda nos servidores era o mais comum. Sob o slogan It’s Not TV. It’s HBO, ela ironicamente prova que não estava preparada para o novo mundo e estava jogando fora seu prestigioso catalogo em prol de um app que funcionava aos engasgos.

Nesse interim, o mercado se atualiza e outras grandes empresas começam a investir em sistemas online, sendo a Amazon e a Disney+ as principais. Enquanto a primeira aposta em um catalogo mais “universal” (não deixando de lado produções originais, embora um tanto mais modesta) a segunda traz tudo o que o império de Mickey mouse e companhia tem a oferecer. Fortes como tratores, obrigam a Home Box Office a tomar medidas drásticas. Unindo forças com a WarnerMedia e Discovery Chanel, em um acordo de aproximadamente U$150 bilhões, se torna o conglomerado de streaming mais competitivo do mercado. Só que não.

Sob a alcunha de HBO Max, o que era para ser uma plataforma poderosíssima, se mostra fraca e com muito mais defeitos que sua antecessora. Chega a ser vergonhoso. O aplicativo, além de travar, agora tem problemas com sincronização de legendas, quedas de servidor e problemas de idioma (alguns filmes só apresentam a função dublado ou não tem legendas em português para produções estrangeiras.)  É simplesmente inacreditável que um projeto avaliado em um valor equivalente ao de uma Republiqueta qualquer perca para qualquer site de pirataria existente.

Visitei o aplicativo 3 vezes em 3 horários diferentes. Em todos tive problemas com o sistema de Buffer do site. Entrando em contato com a Central de ajuda, praticamente todas as soluções envolvem procedimentos com a internet do usuário. Absolutamente nunca é culpa deles.

O primeiro filme que tentei ver foi ‘Entrevista com Vampiro”. Ainda não sabia dos problemas da plataforma, estava estreando. A decepção foi gigante quando descobri que só estava disponível a versão dublada. Nada contra, mas em um serviço pago é obrigatório que tenha as duas versões. Depois tentei ver “Lolita” e, surpreendentemente, me deparei com a legenda completamente dessincronizada, horas totalmente para esquerda, horas ocupando praticamente todo o centro da tela. Isso em apenas 20 minutos, que foi o tempo em que o filme parou de rodar e nunca mais voltou.

Sempre fui um defensor árduo da HBO aqui, principalmente por conta das series originais sempre impecáveis. Porem, me sinto realmente chateado com o desleixo e falta de percepção em como estão entregando seu conteúdo. Igual àquela pizza que você pede e o recheio vem todo de um lado só. Imagino que quem tenha 150 bilhões de dólares consiga uma equipe de TI melhor do que essa que está atuando. Mas me parece que não adianta dinheiro onde há má vontade.

Nisso a concorrência vai longe e elevando a disputa. Netflix sempre competente em ser acessível ao seu público alvo; Disney+ apostando em seu universo particular de heróis e heroínas, no qual tem um público bastante fiel. E a HBO ainda na briga para sair de sua adolescência: Metida, mas que ninguém prestar muita atenção. Espero que cresça logo.