E finalmente a maior premiação do cinema mundial aconteceu e , como quase sempre, trouxe novidades em sua cerimônia, que deixou quem assiste e acaba participando dando pitacos de todos os tons possíveis, com a boca aberta e o ego um pouco fragilizado. Foi o crepúsculo dos ídolos do amante da sétima arte.  Especialistas de cinema, entusiastas e público comum se digladiaram em redes sociais, dando ao espetáculo uma cara muito mais divertida do que a proposta inicial. 

A festa começou com tudo. Uma abertura musical fantástica, com direito a participação da platéia que incluía um Brad Pitt desenvolto e bem animado com o circo hollywoodiano e um Leonardo Dicaprio bem tímido. Seguiu-se com um stand up em dupla, servindo como sempre a função de ombudsman do evento. Acho justo essas intervenções, além de dar dicas importantíssimas sobre o tom das premiações.  O desse ano, como na edição anterior, se preocupou bastante em falar sobre diversidade, principalmente sobre a ausência de atores negros nos elencos dos concorrentes. Justíssimo. 

A primeira premiação foi a de ator coadjuvante, com uma concorrência de alto nível, tendo como principal favorito Brad Pitt por seu papel em Era uma vez… em Hollywood. E, igualmente como no final do longa de Quentin Tarantino, a história se mostrou fictícia com um final alternativo, confirmando o prêmio do galã que mesmo cinquentão ainda ostenta um belo shape. Pelo visto, é possível sim se ter tudo nessa vida, inclusive ganhar um oscar disputando com atuações infinitamente melhores de profissionais bem superiores. Se bem que Al Pacino não estava ligando muito pra isso. Que deixem o prêmio para o garotão.

O Roteirista mais bem sucedido da casa já não teve tanta sorte. Ao longo de todo o Oscar, a cada estatueta que escapava de suas mãos, Tarantino afundava um pouco na poltrona e sua tez ficava de um vermelho assustador. Quando viu, de fato, o prêmio de melhor roteiro original indo parar nas mão de Bong Joon Ho, o Sul  Coreano mais simpático do universo, juro por deus que por um momento achei que Quentin teria um AVC. E o fãs, também abalados, proferiram palavras de injúria na frente de seus televisores. Aparentemente, assistir filmes e depois comentar internet a fora não te faz um especialista. Por mim, tudo bem. 

O restante da noite foi tão surpreendente quanto. Teve show do Eminem que foi tão sem graça quanto o que ele fez quando apareceu no Lollapalooza brasileiro. Teve Billie Eilish cantando Beatles, o que a deixou terrivelmente deslocada e, portanto, confortável. E teve uma singela homenagem ao filme Cats, com direito a figurino a caráter e os atores brincando com o microfone durante quase 2 minutos, gerando um desconforto inacreditável na plateia, o que, sinceramente, foi um dos pontos altos da noite.

De maneira geral foi um bom programa de domingo a noite. Existiu uma lentidão e uma barriga enorme no meio da premiação, justamente durante as categorias que ninguém liga muito. Talvez apresentadores com um texto mais carismático ajudaria, não sei. Fica como maior decepção dessa edição o discurso de Joaquim Fênix. Não que tenha sido ruim, acho excelente o puxão de orelha e as provocações, mas comparando com suas outras performances, esperava algo mais afiado e provocativo. Talvez, ganhar tantos prêmios em um ano só tenha acabado com a criatividade de nosso menino Joaquim, coitado. No mais, esse Oscar nos serviu para mostrar que as coisas vem mudando e, mais uma vez, a arte e a cultura pop precisa acompanhar. Cinema influencia e atinge milhares de pessoas no mundo todo e, por isso mesmo, tem uma importância enorme. Que esse impacto não nos sirva apenas para diversão. 

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