Com um roteiro bem problemático e atuações um tanto a desejar, Aves de Rapina nos remonta diretamente à bad trip que a DC Comics/Warner Bros ainda vive com suas adaptações nas HQs. Um dos principais pontos nos quais a obra se pauta é no insano mundo alternativo de Harleen Quinzel, onde o lúdico tem cargas muito bem pontuadas, mas absurdamente mal exploradas ao decorrer do longa. Em vários momentos as quebras de roteiro não condizem com as ideias e funções das personagens em cena e isso torna cada vez mais cansativo a presença de tais, em foco.
Como se espera de uma adaptação, os quadrinhos são referenciados em vários momentos, no entanto, de uma forma que irá irritar os fãs mais radicais. Contudo, nada que chegue a ser um grande problema, se desconsiderarmos, é claro, todo o overacting na maioria das atuações. Essa personalidade inconstante das direções da Warner em seus longas, também deixa transpassar um momento de transição muito confusa entre o sombrio e o PG 13. Recentemente em suas animações tivemos a série da Arlequina, que pinta de formas maravilhosas os tons que quer e como quer, com personalidades bem estabelecidas por mais que o espectador não esteja familiarizado, algo que em um filme com premissas de origens, deixa sua marca de roteiro escrito as pressas com doses de falta de planejamento logístico.
Um dos pontos positivos no longa é a sua trilha sonora frenética como os pensamentos da Princesa do crime de Gotham, acompanhado de uma paleta de cores tão extravagante quanto seu figurino absurdamente overdressing, conversando com cenários que misturam o sombrio da cidade mais caótica das HQs com os pesadelos lúdicos aos quais ela está entregue. No entanto, um dos fatores que dificultam bastante o ritmo é o fato de não conseguirem estabelecer uma fluidez nas cenas de ação, levando à um exagero no artifício do slow motion, onde nitidamente vemos que as coreografias não transmitem o impacto real.
Apesar de muitos problemas técnicos,a diversão dentro desse trem desgovernado têm seus méritos por não usar outros personagens (Batman, Joker e etc) do mesmo universo como bengalas de apoio. Por não ter pretensões, não é desonesto com o seu público e podemos esperar mais de uma nova fase DC/Warner nos próximos anos heróicos.

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