E finalmente, o que uma multidão esperava finalmente aconteceu. A HBO exibe o começo do fim da sua maior epopeia, deixando fãs ansiosos e roendo as unhas até não restar mais alguma possibilidade de dedos. E já vou adiantando de antemão que ela entrega, sabiamente, um episódio lento, quase como um balde de água fria durante um inverno bastante rigoroso. De fato, me parece que o fim merece ser curtido e degustado da maneira mais devagar, para cada mínimo detalhe não ser deixado e abandonado para trás, como um bastardo qualquer. Essa primeira hora se dedica a isso a fim de concluir alguns arcos que estavam pendentes desde a primeira temporada. Chamei isso carinhosamente de “Acerto de contas”.

É interessante perceber que todos esses “novos” encontros são, em sua maioria, costurados pelos membros da família Stark, cada um com velhas questões que foram estabelecidas na primeira temporada. Digno de nota salientar que isso nos é relembrado ja na abertura do episodio, no qual vemos um garoto muito curioso tentando, de qualquer maneira( isso inclui escalar uma árvore), tentar ver os “convidados que acabam de chegar a Winterfell.

Arya e Jon

Não se viam desde os eventos iniciais que aconteceram entre as famílias Lannister e Stark. Ambos cumpriram em cinco temporadas papéis de bastardos, liderando cada um em sua maneira deserdados e outsiders de todas as espécies. Se reconhecem em um diálogo breve, mas suficiente para entenderem que estão fortes e que a morte já não os assusta tanto. Em nenhum momento falam sobre seus familiares mortos, restando uma desconfiança depositada na figura de Sansa.

Sansa e Tyrion

O casal mais improvável e talvez o mais funcional, continua se mostrando implacável em diálogos lotados de ironia e tensão. Podemos notar que Sansa ainda não percebeu a importância e a influência de Tyrion para que ela continuasse viva e, por incrível que pareça, acabou se tornando a mulher megera que sempre odiou e, durante parte de sua jornada temeu: Cersei Lannister( Acho incrível a evolução que a patricinha do norte teve durante as sete temporadas. Muita gente não gosta da figura dela, mas é inegável que vem proporcionando excelentes momentos dentro da lógica da série) O anão, em uma mistura de compaixão e terror, percebe os movimentos de sua antiga e breve esposa. Por enquanto, sem reações possíveis, mas provavelmente essa dedução modifique as relações dentro de Winterfell.

Daenerys e Jon

Não sei vocês, mas acho esse o casal mais forçado das últimas séries que assisti. Pouca coisa sustenta alguma justificativa plausível que me faça sodar algum crédito no mais novo casal incestuoso de Games of Thrones. Como no final da sétima temporada, os dois ainda vivem um romance bem “malhação no gelo” com direito a passeio de dragão e, pasmem os incrédulos, uma leve censura por parte dos filhos escamosos da antiga rainha Dothraki. Muito cafona e desnecessário. Era um tempo de tela que poderia ser gasto com momentos mais marcantes. Não dá para ser feliz com tudo. Inclusive, por falar em felicidade, tambem nao consigo aceitar como Jon Snow  recebe a notícia que que seu pai na verdade é seu tio e a sua mais nova paixão é, também, sua tia. A televisa já fez roteiros melhores do que esse.

Jaime e Bran

O momento mais icônico desse episódio, e o que com certeza demarca a essência do que será a continuação desse final. Na minha cabeça, se o herdeiro direto dos Lannister tinha vários motivos para trair sua irmã, agora pode ser que ele se convença de fato que tem uma dívida bastante indecorosa a ser acertada com o universo( e com todos os Starks, porque não…). Sem contar o fato de que sua cabeça está a prêmio, cotada pelo mercenário mais carismático dos sete reinos.
Sobre as atuações, nada de novo no mundo de westeros. O padrão de qualidade se manteve em comparação com as outras temporadas e nem acho que esse seja um diferencial que marcou a guerra pelo trono.
De fato, um amontoado de plot twist’s e um pouco de novela recheiam os nossos corações em busca de um pouco de diversão. Nisso, esse e todos os episódios que o antecederam foram pelo menos honestos. Aos ansiosos, que fique o recado: as coisas tendem a acontecer aos poucos.

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