Bojack Horseman (4º Temporada) – Crítica

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Estreando em setembro de 2017, a quarta Temporada de Bojack Horseman retorna com um humor ainda mais ácido, satírico e definitivamente muito mais político.
Bem mais “sitcomizada” e bem menos introspectiva, a nova temporada chega com uma pegada um pouquinho diferente das demais. Aqui, o que nós temos é a famigerada discussão filosófica existencial dos personagens aderindo a uma certa translucidez, para que se permita um debate mais acurado de certas questões políticas recorrentes na atual situação econômica dos EUA.
No entanto, embora a política, em seus vários espectros, sirva como um fio condutor para mover a trama e desenvolver alguns dos personagens, não é por isso que ficamos sem as velhas discussões intimistas das dores e dramas de cada um deles.
Bojack (Will Arnett), agora ressentido (No Spoilers, Sir) por eventos da temporada anterior, tenta se reencontrar e – para tal finalidade – se isola de todos. Dessa forma vai se construindo o plot que será usado pela narrativa para discutir um novo aspecto na vida do Homem Cavalo, como sua infância conturbada influenciaria em uma possível paternidade.
A série explora os traumas do personagem através de uma incursão retroativa pelas mazelas de seus antepassados, inferindo e confirmando a ideia de que há uma série de fatores por trás de toda sua dor. Dessa forma, finalmente podemos acompanhar um pouco mais da vida da controversa Beatrice, mãe de Bojack, que aqui, se mostra muito mais complexa e com diversas camadas, algo extremamente bem explorado pela direção e que conversa diretamente com toda a filosofia apresentada na primeira temporada.
A produção mantém um roteiro afiado e um texto assertivo, que juntos, dão consistência a trama. O arco da “paternidade” de Bojack é bem desenvolvido e acertadamente constituído de paralelos entre seus conflitos e os vividos por sua mãe, através de flashbacks pontuais, algo que inclusive, rende um bom plot twist na temporada.
Outro ponto forte da série, como supracitado, é a abordagem política através das figuras de Diane (Alison Brie) e Mr.Peanutbutter (Paul F. Tompkins).
Diane evolui não só como personagem, mas também como pessoa, deixando cada vez mais visível seu ativismo pelos direitos das mulheres, algo que nas primeiras temporadas era apenas mencionado sem tanta importância. A Série levanta – através de críticas pontuais – várias questões acerca da cultura armamentista americana e o maniqueísmo dos grandes meios de comunicação, onde as notícias são enlatadas e tendenciosas, tendo como consequência uma sociedade de cultura rasa e altamente conspiracionista.
Ao passo que a série desenvolve Diane em sua luta pela causa feminista, em paralelo vemos um pouco mais da interação de Mr.Peanutbutter dentro do universo das campanhas eleitorais, aqui uma clara alusão a Donald Trump e sua corrida presidencial. A série, muito afiadamente, satiriza o ridículo de determinadas situações que, apenas vendo por uma perspectiva fantástica e sem as catarses do mundo real, é possível perceber o gral de contrassenso apenas na concepção de tal ideia.
A quarta temporada de Bojack Horseman traz um bom fechamento de arco para todos os seus personagens, com exceção de Todd (Aaron Paul), cuja não só a presença, mas todo o arco foi completamente desnecessário.

Bojack Horseman (4º Temporada) – Crítica

8.5

Nota

8.5/10

Nascido em uma longínqua galaxia jamais explorada pelo homem, desde pequeno coleciona quadrinhos, maratona games oitentistas, adora cinema indie e as vezes até se aventura na escrita de contos Scifi. Tudo isso enquanto aguarda sua volta pra casa.