Bojack Horseman (3º Temporada) – Crítica

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Com uma excelente segunda temporada, Bojack Horseman vem sendo comparado a vários outros sitcoms de sucesso que o antecedem, como; Family Guy, American Dad e até mesmo os consagrados Simpsons. Porém a verdade é que, a série original da Netflix nada tem a ver com nenhuma das gigantes supracitadas, algo que fica ainda mais evidente agora em sua terceira temporada.
A série de Raphael Bob-Waksberg traz em seus textos um humor ácido e debochado, porém nunca se escorando no literal ou escatológico. Bob – que além de ator e escritor também é comediante – nos apresenta a um novo jeito de se fazer humor, algo que já se esboçava nas temporadas anteriores, mas que aqui, finalmente se estabelece com sucesso.
Embora vez ou outra a produção se utilize das teorias do humor mais comuns de nesse tipo de show, Bojack Horseman vai num caminho contrário, tomando a teoria da incoerência como parceira de seu formato narrativo, deixando as teorias da superioridade e a famigerada teoria do alivio em segundo plano.
Para a narrativa, não é interessante literalizar uma piada (salvo momentos em que isso de fato possa render boas gargalhadas), mas mantê-la nas sombras de sua sutileza ácida. Dessa forma, é possível trabalhar várias questões sociais, filosóficas, éticas e até religiosas através de camadas que precisam ser desconstruídas para que se estabeleça a intenção do humor. Algo positivamente já estabelecido através da narrativa subversiva adotada pela série.

Aliás, narrativa essa que – como citei lá na crítica da segunda temporada – pode deixar o espectador mais desavisado, extremamente confuso. Ora, como uma série de humor pode se parecer tão depressiva?
Bojack Horseman usa de mimeses apenas em suas camadas mais superficiais, deixando para as demais o uso do estranhamento, que – ao não permitir que o espectador estabeleça conexões deterministas com a realidade – está automaticamente o fazendo criar sua própria reflexão acerca dos eventos ali observados. Assim, abandonando por completo o conceito de catarse, a série avança descontruindo nossas expectativas e com isso subvertendo aquilo que estabelecemos naturalmente como padrão de narrativa natural.

Essa terceira temporada não traz nenhuma novidade em relação a evolução de seus personagens, salvo o destaque para Diane (Alison Brie), que fica responsável pela maior parte das piadas a estrutura sócio cultural de uma sociedade estruturalmente paternalista. Em contraponto, se por um lado a série não os evolui tanto quanto poderia, ela os explora de diversas formas distintas.
Enquanto seus arcos avançam, os personagens são constrastados com novas situações que os jogam pra frente, os fazendo sair de sua safe zone. Algo que, se melhor trabalhado poderia render uma evolução maior em cada um deles, porém – talvez por uma decisão comercial de não alterar o status quo dos mesmos – não sofrem tantas modificações e seguem com os mesmos problemas, dúvidas e erros.
Com uma terceira temporada bem mais voltada para o drama e um humor mais ácido e cada vez mais político, a terceira temporada de Bojack Horseman fecha sua passagem sem muito a acrescentar ao alto padrão já estabelecido pela série, mas ainda assim se mantendo com uma qualidade dentro do aceitável.

Bojack Horseman - 3º Temp

8.5

Nota

8.5/10

Nascido em uma longínqua galaxia jamais explorada pelo homem, desde pequeno coleciona quadrinhos, maratona games oitentistas, adora cinema indie e as vezes até se aventura na escrita de contos Scifi. Tudo isso enquanto aguarda sua volta pra casa.