Pois é. Cá estou no que pode ser a maior armadilha que eu tenha caído nesse ano de 2018. Espero que eu esteja enganado, mas, ao que tudo indica, esperança não parece ser o norte mais recomendável para quem quer levar o tema “novela das nove” a sério. O que me parece bastante estranho, visto que a mais ou menos 30 anos ele é o maior produto de cultura pop do maior canal televisivo do país… Enfim, em um misto de tédio e curiosidade, me prontifiquei a assistir a nova aventura que a rede Globo se propôs a nos mostrar em sua grade de telenovelas.

Confesso que o que me atraiu foi o tema proposto: É raro ver, principalmente nesse horário, qualquer história que tenha como background um estilo ligado ao realismo fantástico. É mais do que óbvio que esse tipo de temática costuma ser alocada em horários onde a atenção do público é mais dispersa, como às 18:00 ou 19:00 horas. Justamente por isso, a decisão de produzir uma novela onde a fantasia tende a tomar o maior tempo de tela possível em horário nobre, me pareceu bastante corajoso e me atraiu a arriscar gastar um tempo que provavelmente iria para outras mídias. Ponto para a televisão aberta.

A trama principal gira em torno de uma fonte, que a princípio carrega propriedades esotéricas em sua água,  localizada no município fictício de Serro Azul. Ela é protegida por sete guardiões que são substituídos quando algum deles morre. Aparentemente esse mau presságio é anunciado pelo sumiço do gato preto Leon, que até então se mostrou ser uma entidade dedicada a escolher a linha sucessora dos guardiões.  Ao que tudo indica, tem tudo para ser um roteiro muito bem explorado, digno de série gringa que ganha prêmios até perder de vista. Porém, não é isso que acompanhamos nesses primeiros 5 capítulos.

Ainda que o primeiro episódio tenha tido momentos surpreendentes como uma mão ensanguentada saindo de dentro de uma xícara, infelizmente a novela se mostra extremamente previsível, com ritmo lento e atuações que se salvam com os profissionais mais experientes – como Tony Ramos, LiLia Cabral e Letícia Spiller. Entendo que, por se tratar de um produto de alcance nacional, que abrange todo o tipo de pessoas e idades, o roteiro tenha que ser o mais acessível possível. Mas, em prol disso, acaba se justificando de mais o tempo inteiro, matando qualquer possibilidade de mistério e oportunidades de o telespectador se envolver tentando imaginar o que vai acontecer no episódio seguinte. Parece – e com todo o respeito aos roteiristas – que foi uma obra elaborada por crianças de 14, 15 anos. A não ser, é claro, que isso seja pensado a fim de transformar uma boa história em um evento no qual pode-se assistir sem prestar muita atenção –  o que é triste, já que perdemos a oportunidade de gerar bons conteúdos em um tempo onde a competição por espaço na cultura pop é bastante acirrado.

Os núcleos se dividem como sempre: Vilões, Mocinhos e alívios cômicos. Cada qual respeitando sua parcela de responsabilidade dentro do enredo principal e, de vez em quando, agregando alguma coisa com seus plots secundários – que sempre consistem em alguma lição moral para a sociedade. No caso, problematização de temas que remetem a gêneros sexuais. Isso não é problema, pelo contrário. Mas é feito da maneira mais óbvia e infantil possível, transformando o telespectador em um completo idiota. Em um ranking de performance, Vilões ( pelas atuações de Lilia Cabral e Tony Ramos) e Alívios cômicos sustentam uma primeira semana fraca que, com muita barriga em seu roteiro, tenta introduzir os elementos da história. O Possível casal de mocinhos ( Bruno Gagliasso e Marina Ruy Barbosa) são mais sem graça que salada de xuxu.

Espero que, de uma maneira geral, as coisas melhorem. Mesmo sabendo que, provavelmente, já dá para desenhar todo o enredo da novela sem grandes surpresas.

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