Upgrade – A novidade, só que velha

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Quando Leigh Whannell escreveu e produziu Jogos Mortais, ele realmente abriu uma porta nova dentro de um gênero que já estava – e ainda está – muito desgastado. Realmente a ideia de introduzir um excelente plot twist no meio de um conceito Slasher foi o que pescou a maioria do público que não estava muito acostumado no estilo. Reforçado pela estética que funcionou, ele repetiu a fórmula em praticamente todos os filmes que dão a sequência as desventuras de Jigsaw.  Com Upgrade ele repete a mesma tentativa, mas em outro estilo de cinema: A ficção científica.   

Como de praxe em suas produções, o elenco é bastante obscuro, com atuações esquecíveis, mas não ruins. Economia de recursos vale a pena se o roteiro se garante com uma boa história. Não é o caso. O filme repete todos os clichês do estilo, “homenageando” conceitos visuais e literários de obras de sucesso que vieram bem antes. Um mecânico de carros analógicos e sua esposa sofrem um atentado graças ao boicote de alguma espécie de milícia anti-capitalista. Grey TraceLogan Marshall-Green) fica paraplégico e Asha (Melanie Vallejo)  morre. Em busca de vingança, ele implanta em sua coluna um dispositivo que comandaria a função perdida pelo cérebro. STEM. Claro, o pequeno gadget vai adquirindo consciência ao passo que ajuda o seu interlocutor na grande aventura pela descoberta de quem assassinou sua amada.

Como disse, nada novo. 2001: Uma Odisseia no Espaço, Matrix, Her, o Excelente Ex-machina e até Robocop. Todos estavam presentes ao mesmo tempo em uma trama bastante morna e previsível e com um plot twist horroroso. Tudo acontece muito rápido e não ha uma preocupação em tentar explicar ou mostrar motivações que fujam do obvio ou do fácil. Cabe a um fim duvidoso a árdua tarefa de colocar os pingos nos is, e assim mesmo, até um espectador mais desatento torceria o nariz. As cenas de ação são realmente boas, lembrando e muito, a estética presente em Matrix, com movimentações rápidas e bem desenhadas e, claro, sem o menor pudor em mostrar toda a violência presente em confrontos corpo a corpo.

A impressão que me deu é a de que Leigh Whannell realizou um sonho. Muito provavelmente seu roteiro genial, idealizado em 1995(Dado completamente especulativo), engavetado por falta de investimento e renome ganhou forma depois de ele já está estabelecido dentro do showbiz. E de fato, a alguns anos atrás seria de um potencial absurdo. Hoje em dia, talvez não. Caso ele tivesse essas pretensões, caberia algo feito com mais cautela, principalmente no que tange ao elenco. Não é isso que ocorre. Upgrade acaba sendo não uma decepção, mas uma coisa que poderia ter sido e não foi. Deixa o rapaz sonhar.     

Upgrade - A novidade, só que velha

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5.5

Upgrade - A novidade, só que velha

5.5/10

Pseudo comentarista de cinema, Pseudo músico, Pseudointelectual, Pseudo escritor, Pseudo estudante, Pseudo míope, entre outros tantos Pseudos… Atualmente estudante de Psicologia pela Universidade de Ribeirão Preto.