You Were Never Really Here – Critica

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Eu assisti apenas a um filme com o Joaquin Phoenix : Her. Lembro de ter sido incrível por vários aspectos, mas principalmente pela atuação magnífica dele. Ele faz um jeitão outsider empático que me agrada bastante e é muito difícil reproduzir nas grandes telas. Agora, com um tempo bastante significativo entre um filme e outro, ele consegue entregar outro papel magistral em You were never really here.

Diferente do solitário escritor que se apaixona por um sistema operacional, aqui ele representa um perturbado veterano de guerra que, sendo mercenário, se ocupa em resolver crimes sexuais. Um caso de pedofilia, envolvendo grandes nomes da política americana, acaba saindo do controle e Joe, como é conhecido, se vê frente a frente com seus traumas, enquanto todos ao seu redor morrem.

A montagem e a direção, junto com a atuação de Joaquin Phoenix fazem do filme uma viagem onírica. Tudo parece um grande sonho de Joe, principalmente pela grande diferença entre suas personas, que são basicamente duas: O filho responsável que cuida da mãe idosa com todo o carinho e dedicação que ela merece (cuidado esse que foi negligenciado por seu marido) , e o mercenário frio e cruel assombrado pela violência de seu passado. As duas sendo transicionadas por momentos de crises de pânico solitárias e angustiantes que envolvem contagens regressivas e controle de respiração dentro de sacolas plásticas (no começo do filme eu pensei que ele se masturbava enquanto se asfixiava, o que tornaria a coisa toda mais sombria). Outro detalhe muito impressionante são os diálogos de fundo que são perceptíveis em momentos de silêncio, mas são inaudíveis, ilustrando o quanto o personagem está alheio a realidade que o circunda e extremamente concentrado em controlar seus impulsos para que eles não o atrapalhem. Alias, cena marcante a que Joe, mais uma vez sozinho em seus devaneios, imagina-se cometendo um suicídio dentro de uma lanchonete e todos continuam suas vidas como se ele realmente não existisse ou a morte fosse algo corriqueiro.

A diretora  Lynne Ramsay opta por não transformar seu filme em uma aventura policial, ocultando de maneira bastante criativa momentos de perseguição e lutas corporais. Tira do foco de quem assiste a violência gratuita, dando lugar a imagens mais simbólicas e até um pouco dissociativas que conversam com a mente de seu personagem principal. No que julgariamos ser o momento mais importante da trama as câmeras de Ramsey são substituídas pelas de segurança do hotel onde as meninas são abusadas, nos obrigando a imaginar o que acontece dentro dos quartos, enquanto joe faz sua limpa.

Ultimamente eu venho apreciando essas escolhas dos diretores. Claro, existem histórias e enredos que pedem um estilo mais gore, mais afetado, mais visceral. E se bem usados, causam efeitos interessantíssimos, como no caso do espetacular Mãe!. Porém, o não mostrar, o minimalista, tende a conversar um pouco mais com o espectador atento. Coloca quem assiste em uma posição mais participativa dentro da história a ser contada. Afinal, cinema também pode ser uma atividade que trabalhe em prol de nossa criatividade.

No fim das contas, You were never really here é um filme médio que apresenta mais uma excelente atuação de Joaquin Phoenix. É uma boa pedida para você que quer sair um pouco do cinema tradicional.

YOU WERE NEVER REALLY HERE

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7.5

YOU WERE NEVER REALLY HERE

7.5/10

Pseudo comentarista de cinema, Pseudo músico, Pseudointelectual, Pseudo escritor, Pseudo estudante, Pseudo míope, entre outros tantos Pseudos… Atualmente estudante de Psicologia pela Universidade de Ribeirão Preto.