Criada por Olan Rogers, Final Space foi lançada originalmente pela TNT em fevereiro de 2018, logo depois sendo exibida pela TBS (Ambas da Turner Entertainment) e finalmente pela famigerada Netflix, ainda em julho de 2018.
A série animada conta a estória de Gary, um astronauta que se encontra preso em função de um crime, mas que as vésperas de sua liberdade acaba encontrando um alienígena ao qual ele apelida de Mooncake, que por sua vez será o motor para todo o desenrolar da trama.
Erroneamente comparada à Rick and Morty, Final Space nem de longe tem as pretensões da animação da Cartoon Network. Começando pelo formato, o que vemos aqui é uma bela surpresa em relação a suas análogas. A direção deixa a trama procedural de lado para adotar o formato de seriado, onde cada episódio continua diretamente do anterior, um acerto gigantesco se levado em conta a cadencia no desenvolvimento nos arcos das personagens, personagens essa, aliás, que aqui tem arcos muito bem desenhados. Gary faz o típico canastrão ingênuo e bom moço, sua personalidade toma rumos atípicos durante a construção, pois se de um lado vemos o personagem quebrado e a todo instante apelando para a jocosidade através de situações comicamente bem construídas, o próprio personagem não filtra toda sua dor pelo prisma do humor, o que nos leva à momentos onde o drama é realmente drama, seco e puro. Contudo, esse recurso nem sempre funciona, pois se é positivo que Gary deixe suas emoções bem delineadas nos levando a reforçar o peso de toda a dramaticidade quando ela aparece, a alternância exageradamente rápida entre essas emoções pode diminuir bastante a fluidez da cena fazendo-a parecer artificial. Coisa que não acontece com os outros dois personagens centrais, Avocato (Com seu filho Little Cato) e Quiin Argon, que dosam muito bem seus momentos dramáticos, por vezes até dividindo ali o papel de badass no elenco.
As piadas de situação (Situation Comedy) somam a maior parte dos pontos positivos da série, hora nos tirando gargalhadas verdadeiramente honestas. Parte disso se dá pelo belo trabalho de sincronia entre montagem de cenas e roteiro, que, por sua vez é simples em sua ideia, o que facilita o trabalho de desenvolvimento dos personagens. Embora conte com um texto simplório e pouco inspirado, há momentos sublimes que geram um certo tom poético, produto do casamento do tipo de narrativa escolhida com o estilo da animação que, apesar de parecer simples à princípio, acaba se mostrando extremamente competente chegando a superar a maioria das animações nesse estilo. O mesmo, infelizmente, não se pode dizer da trama. Embora amarrada ela acaba se tornando complexa demais em sua execução, o que pode causar a sensação de “o que está acontecendo aqui?”, pois certas conveniências e detalhes mal explorados dificultam tal compreensão, porém nada que prejudique o produto como um todo.
A animação possui muitos elementos de Scifi, porém se engana quem pensa que ela irá se aprofundar nesses conceitos, detalhe que inclusive pode decepcionar espectadores mais desavisados. Final Space está para mais para um Space Opera do que para um Hard Scifi, a direção não se preocupa em usar o roteiro para nos levar à complexos mundos fantásticos ou a trama para nos apresentar fenômenos científicos intrigantes, aqui toda a ficção cientifica é usada como um mero plano de fundo para contar uma história sobre os personagens que acompanhamos, o que não é necessariamente um ponto negativo já que desde o piloto a série é bem honesta em não tentar vender grandes questionamentos existenciais sendo discutidos por personagens extremamente geniais.
Embora não seja uma animação nos moldes convencionais, ainda há uma certa dose de maniqueísmo na série. Se em uma mão temos um excelente Avogato com sua moralidade dúbia no melhor estilo Han Solo, ou até mesmo Quiin questionando suas decisões em certos momentos, em outra mão temos em Lord Commander um vilão extremamente unilateral e sem nenhuma motivação, ou seja, ele é mal porque é e isso tem que ser o suficiente.
Embora com muitas falhas, Final Space também acerta em muitas apostas que vão desde piadas muito bem sincronizadas até toneladas de referência à cultura pop , vide o próprio H.U.E, que é claramente uma referência ao H.A.L 9000 de 2001 Uma Odisseia no Espaço e o próprio supracitado Lord Commander que é praticamente uma versão bizarramente “fofinha” dos Cif de Star Wars. Se isso não for razão para ver a série eu não sei mais o que poder ser.

Final Space

8.5

Nota

8.5/10
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