Além da Imaginação -Twilight Zone- no original trata-se de uma série de Ficção Científica, Suspense, Terror e Fantasia que foi exibida entre 1959 e 2002. A série teve várias refilmagens, exibidas em três épocas diferentes, sendo elas 1959 (Pela CBS), 1985 (Também pela CBS) e 2002 (pela UPN).

Criada por Rod Serling, as primeiras temporadas são de longe as melhores que já assisti. Os episódios variam constantemente de gênero, no entanto todos tem o mesmo toque de mistério e ficção que é a marca registrada da série.

Com um formato ontológico, a série conquistou corações pelo mundo com histórias bem escritas e finais quase sempre com Plot Twists.É com essa premissa de muito mistério e suspense que hoje vamos selecionar aqui pra vocês Os Melhores Episódios de Twilight Zone (1º Temporada).

Walking Distance (Logo ali)

Episódio: 05 – Temp: 01

Esse é um daqueles episódios mais intimistas, onde os elementos scifi são colocados em segundo plano dando lugar a uma trama mais voltada para questionamentos existenciais.

Martin Sloan é um homem de 36 anos bem sucedido e que trabalha como Vice-presidente de uma agência. Enquanto retorna para sua cidade natal, Homewood, ele acaba tendo um problema em seu carro, porém como percebe que só está a uma milha e meia da cidade, ele então resolve ir a pé, sem sequer imaginar que teria a maior surpresa de sua vida ao chegar lá.

Um dos melhores episódios de Twilight Zone, esse episódio em especial tem uma mensagem muito importante para todos nós, que é basicamente;

Viva a sua vida, divirta-se, seja livre e aproveite, pois só haverá uma chance de ser feliz e ela é agora.

No episódio vemos referencias claras aos conflitos de nosso cotidiano, principalmente no que se refere a quão relativa é a própria felicidade. Nem todos encaram a vida da mesma maneira, assim como Martin Sloan, passamos a vida inteira buscando por algo que nunca descobrimos o que é exatamente, mas só e apenas só quando perdemos tudo aquilo que outrora era tão corriqueiro e desinteressante é que finalmente percebemos que sempre tivemos tudo o que sempre queríamos, apenas estávamos ocupados demais para perceber.

And When the Skies is opened (E quando os céus se abrem)

Episódio: 11 – Temp: 01

Tendo voltado do primeiro voo de exploração espacial da história, o Coronel Harrington visita seu companheiro, Major Gart, que está hospitalizado com a perna quebrada, consequência do pouso da espaçonave de volta ao planeta terra.

Durante a visita os dois tem uma conversa no mínimo intrigante, pois Harrington está muito perturbado ao notar que ninguém, além dele mesmo é capaz de se lembrar de um terceiro tripulante (Forbes) que estava em sua nave, formando assim uma equipe de três astronautas, e não apenas dois como está em todos os jornais.

Esse é de longe um dos mais intrigantes episódios de toda a série, pois ele não conta apenas com os elementos já característicos como terror e suspense. Durante todo o episódio o espectador embarca na mente perplexa de Harrington tentando decifrar as nuances entre realidade e uma possível fantasia, o que é algo realmente perturbador, já que toda a trama é contada do ponto de vista de coronel, o que gera certas perguntas ao espectador, afinal de contas; seria tudo uma conspiração do governo, uma fantasia da cabeça de Harrington ou a mais pura realidade?

O final cumpre bem o seu papel, fechado bem a trama com uma explicação que certamente nos causaria um brainstorm, se tivéssemos hoje, o mesmo conhecimento cientifico de 60 anos atrás.

Third from the Sun (Terceiro a partir do sol)

Episódio:14 – Temp:01

Will Sturka é um cientista que trabalha para o governo desenvolvendo um tipo de ‘bomba nuclear’, a H-Bomb. No entanto quando a produção dessas bombas se torna massiva, Sturka percebe o potencial destrutivo de sua criação e prevendo o pior (um holocausto nuclear) ele resolve fugir do planeta.

Junto com seu companheiro de trabalho, Jerry Riden, Sturka planeja e rouba uma nave espacial experimental abandonando o planeta ao lado de sua esposa e filha assim como Jerry e sua esposa, também. Dessa forma, os 5 sobreviventes de um planeta em colapso viajam para um dos planetas que Sturka já vinha estudando há algum tempo, até então conhecido como Third from the sun (O terceiro planeta na órbita do sol).

Bem, se você entende o mínimo possível de astronomia, com certeza já matou a charada desse episódio. No entanto, ainda assim, nada disso tira a beleza poética da mensagem passada por ele, nos fazendo refletir sobre nossas ações tanto como pessoas quanto como espécie.

A Nice Place to Visit (Um belo lugar para visitar)

Episódio: 28 – Temp: 01

Durante um assalto a banco, o inescrupuloso bandido Rocky Valentine acaba sendo cercado pela polícia e é alvejado por vários tiros, tendo como consequência sua morte imediata, ou não, já que segundos depois ele acaba “acordando” e dando de cara com o angelical Sr. Pip, que a partir dali serve como um guia para aquele velho homem fora da lei.

Sr. Pip então explica a Rocky que ele pode ter o que quiser, mulheres, carros, dinheiro, absolutamente tudo. É então que Rocky percebe que nunca sobreviveu aquelas balas, ele na verdade havia falecido naquele instante. Certo de que estaria aproveitando cada minuto no paraíso, Rocky faz tudo o que sempre quis na vida, humilha a polícia, consegue várias mulheres, casa e carros de luxo e nunca perde no pôquer ou em qualquer outro jogo.

No entanto, em um dado momento o falecido bandido se dá conta de que nada daquilo soa real o bastante, ora pois, não era como se “a sorte estivesse lançada” à ele, não importaria o que ele fizesse, sempre sairia vitorioso, desde uma troca de tiros com a polícia até um simples jogo de carta com qualquer pessoa. Rocky então se frustra na ausência das variáveis que só a vida real poderia lhe dar, pois ele deseja poder perder e ganhar quando for o momento certo e não quando ele quiser que aconteça.

É então na reta final do episódio que temos uma surpresa aterrorizante, bem quando Rocky decide que o paraíso é chato demais e pede para o distinto Sr.Pimp para que seja enviado ao inferno.

Aqui vemos o quão relativos são os conceitos de liberdade, felicidade e sofrimento, justificando nosso cotidiano sob uma ótica que torna todas as incertezas da vida, sejam contra, sejam ao nosso favor, algo realmente válido, ao passo que, não importa como a vida pareça ser, ela é linda e merece ser apreciada da maneira que realmente é.

People are Alike All Over (As Pessoas são todas iguais)

Episódio: 25 – Temp: 01

Durante uma viagem a marte em um foguete espacial, seus dois tripulantes, Samuel Conrad e Warren Marcusson conversam sobre as incertezas das formas de vida que podem encontrar por lá. No entanto, se de um lado Conrad se mantém apreensivo por medo do que pode encontrar, Marcusson já pensa algo completamente diferente, repetindo o tempo inteiro que os marcianos provavelmente são pessoais iguais a nós.

A nave dos intrépidos aventureiros acaba se chocando com o planeta vermelho, o que leva o astronauta Marcusson a falecer devido ao impacto, deixando seu assustado e confuso amigo sozinho e a um passo de um encontro que mudará para sempre todo o seu conceito sobre sua própria existência.

Se há uma característica marcante em Twilight Zone, podemos dizer que se trata da inversão de perspectivas que seus episódios nos apresentam. Nesse episódio, Rod Serling nos desvencilha da ótica opressora, egocêntrica e superiorizada a qual estamos adaptados a olhar para todas as formas de vida, pondo o protagonista, assim como o espectador, sob um ponto de vista completamente atípico e avesso a tudo aquilo que acha conhecer.

Ao encontrar com as formas de vida marcianas, Conrad finalmente entende a natureza da existência como um todo, se desgarrando de seus conceitos fundamentados em seu limitado corpo de conhecimento onde o mesmo encabeçaria o topo da cadeia alimentar e existencial, se deparando assim com seu atual lugar na mesma. O que leva o pobre homem a gritar as seguintes frases na cena final: People Are Alike All Over (As pessoas são todas iguais)!

The Monsters Are Due on the Maple Street (Os Monstros estão bem na Rua Maple)

Episódio:22 – Temp:01

Quando um clarão é observado pelos habitantes da rua Maple Street, logo surgem várias teorias sobre o que poderia estar acontecendo. Alguns dizem se tratar de um meteoro, outros afirmam ser um ataque extraterrestre, porém as coisas ficam ainda mais tensas quando a eletricidade vai embora e todos os aparelhos param de funcionar, incluindo máquinas e equipamentos não elétricos como carros e telefones.

Quando o carro de apenas um dos habitantes é encontrando funcionando, logo é formada uma rede de intrigas e suspeitas onde um dos vizinhos, Les é acusado de ser um extraterrestre disfarçado, encontrando apenas em Steve uma mente sensata o suficiente para tentar resolver a situação de maneira racional.

Culminando num desfecho sensacional, esse episódio desenvolve de maneira simples e coesa os reais fundamentos da natureza humana, trabalhando de maneira magnifica as consequências do pensamento de manada, fanatismo, ignorância e preconceito, o que é curioso pois mesmo escrito em 1959 a discussão continua mais atual do que nunca.

Destaque para a frase de encerramento de Rod Serling, onde ele diz:

As ferramentas de conquista não precisam vir necessariamente em formato de bombas e armas biológicas, mas em um simples pensamento ou atitude que pode ser encontrado na mente do homem. Para registro, preconceitos podem matar e a suspeita pode destruir

Nascido em uma longínqua galaxia jamais explorada pelo homem, desde pequeno coleciona quadrinhos, maratona games oitentistas, adora cinema indie e as vezes até se aventura na escrita de contos Scifi. Tudo isso enquanto aguarda sua volta pra casa.

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