Confesso que não sou um aficionado por HQs. Ficando por conta dos saudosos Helbert Wagner, Guilherme Silva e Fred Reinald o título de membros desse site que são expert em quadrinhos. Embora isso tudo, acho incrível a capacidade delas de contar uma estória usando a arte sequencial ilustrada para dialogar com o texto ali presente.E foi exatamente isso que senti ao ler Lifehack.

Lifehack: O Alvorecer dos deuses nos apresenta – Logo em seu volume inicial – a uma operação de roubo de um artefato que, nas mãos erradas, pode virar uma arma extremamente poderosa de controle social. A primeira coisa a se destacar, apesar de ser um fator subjetivo, foi a capacidade de imersão que ela me trouxe. De fato o arco inicial proposto – um prólogo literal – tem um ritmo bom, com desfechos cronometrados, embora possa ser um pouco confuso devido ao número grande de personagens e corporações. Entretanto isso não atrapalha o entretenimento e nem prejudica o fluxo de leitura. Talvez a minha dificuldade tenha relação com a falta de costume com esse tipo de mídia.

O roteiro não se mostra complexo, e me pareceu  – quando terminei as 38 páginas – que tinha assistido a um filme de conspiração/espionagem/investigação que  se passa na época da guerra fria, apesar de a HQ ser claramente ambientada em um futuro distópico. Colocando em miúdos, é justamente esse clima steampunk/retrofuturista que traz uma certa elegância visual pra obra. Por ser um prólogo, as questões mais filosóficas da trama não se completam, o que gera um certo grau de frustração para quem espera, pelo menos, um arco fechado. Algumas questões ficam em aberto, deixando os leitores completarem por sua conta o que seria e quais as reais potencialidades do projeto. Entendo que isso possa ser um recurso para te deixar intrigado e ler o próximo volume. Porém, no meu caso, me deixou mais perdido do que curioso.

A arte casa bem com a proposta do plot, com cores quentes em momentos tensos e mais escuras durante os diálogos que são mais aprofundados. O traço é rápido, dando bastante movimento às ações e dinâmica aos personagens. A HQ peca em não demonstrar riqueza de detalhes no cenário, claramente deixando isso em segundo plano. Isso empobrece uma estória com muito potencial estético e rica em seu desenvolvimento de roteiro.

Contudo é uma obra nacional que, por si só, luta contra a maré das Histórias em quadrinhos gringas. Falta produto nesse nicho de entretenimento e é muito interessante apoiar os autores que se esforçam para colocar no papel suas ideias. Lifehack é, com certeza uma representante desse cenário e se mostra bastante acessível para o público que não está acostumado com esse tipo de mídia. Recomendo!

Nota

7.1

Lifehack

7.1/10

Pseudo comentarista de cinema, Pseudo músico, Pseudointelectual, Pseudo escritor, Pseudo estudante, Pseudo míope, entre outros tantos Pseudos… Atualmente estudante de Psicologia pela Universidade de Ribeirão Preto.

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