Quando surgiu em 2008, a série Breaking Bad trouxe consigo uma corrente de novos conceitos até então inexplorados nos TV shows, Vince Gilligan se preocupou em trazer seus personagens para o limite da realidade, onde eles ficam ali todos centrados em tons de cinza e longe do maniqueísmo cotidiano com o qual já estávamos acostumados. Tendo dito isso, é com grande prazer e sem nenhum receio que afirmo que 1 Contra Todos, salvo as proporções devidas,  representa o mais próximo que temos da série do meth cooker mais famoso da cultura pop.
Produzida pela Fox, com roteiro de Thomas Stavros e a direção de Breno Silveira, 1 Contra Todos narra a trajetória de Cadú (interpretado pelo excelente Júlio Andrade), um jovem e honesto rapaz que trabalha como defensor público (Bela ironia) e acaba sendo acusado de um crime que não cometeu tendo sua vida destruída em função da mídia sensacionalista, maniqueísta e sanguinária que por sua vez teima em reforçar sua figura como a do “Doutor do Tráfico”. Assim sendo, Cadú acaba sendo enviado para um presídio no interior de São Paulo, onde para sobreviver terá que encarnar o personagem que todos acham que ele é.
A série possui falhas, claro, porém nada que consiga ofuscar a genialidade do roteiro, tão pouco as atuações estupendas e originais do elenco. Aqui nós não temos presidiários que se parecem modelos da capa de revista, nem frases corrigidas gramaticalmente, aliás, os personagens realmente falam uma linguagem comum na prisão, alheios a qualquer coisa que não seja se manter vivos. Embora possua um tom ultrarrealista, alguns eventos podem parecer convenientes demais, uma explicação para isso seria a tentativa do diretor em criar um certo dinamismo no roteiro, algo de fato não podemos negar que funciona bem.

Os personagens por sua vez são o ponto central do plot, aqui eles não são o fio condutor da trama, muito pelo contrário, a trama é quem é usada para desconstruí-los, explorando ramificações sociológicas dos mesmos, enquanto reduz suas limitações e os embuti e complexos tons de cinza.
A química da atuação entre Júlio (Cadú) e Julia (Malú) é simplesmente absurda, no decorrer de toda a trama vemos a transformação não só de Cadú (que pega gosto pelo poder), mas também de sua esposa, que chega ao limite da razão e acaba tomando decisões extremas no intuito de ajudar o marido. China (Thogun Teixeira), o braço direito do “Doutor do Tráfico”, é um dos maiores destaques da série, ao longo dos eventos vamos entendendo melhor o personagem e desconstruindo a visão binária de um criminoso cruel para algo mais abstruso e humanizado.
De longe vemos mais que um drama que explora a realidade da moralidade do ser diante das circunstancias, vemos também uma dura critica social sendo levantada e que permeia por todo o show, seja ao jornalismo maniqueísta e criminoso que ainda é muito comum e popular na TV brasileira, seja a maneira como funciona o sistema judiciário, penal e carcerário nesse nosso tão maravilhoso país. De fato, uma série que vale a pena ver.

Nota

7.8

1 Contra Todos

7.8/10
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