Super Heróis. Essa deve ser uma das maiores questões dos últimos cinco anos – sendo muito otimista, porque deve ser bem mais – E ficou muito maior com a chegada dos Vingadores. Devo ser sincero e provavelmente estou me repetindo: não é o estilo de filme que mais me agrada simplesmente por eu achar os plots extremamente repetitivos. Juro que assisti a alguns, pelo hype mesmo, com a maior boa vontade do mundo, porém não consegui me conectar com os personagens ou com suas histórias. Coisa que os quadrinhos, talvez, façam com uma maestria muito superior. Daí no meio de todo esse blablabla sobre se o universo realmente foi destruído(de novo…?) a Netflix lança, de maneira bem tímida, Psychokinesis.

Um dos motivos que me fizeram assisti-lo foi o fato de ser uma produção coreana. Fiquei curioso pra saber como a cultura oriental iria tratar esse tema que já está mais do que batido. E convenhamos que o diretor,  Sang-ho Yeon, já havia feito o surpreendente Train to Busan, o que já dá muitos créditos a nova produção. E, sinceramente, mais uma vez ele entrega um bom trabalho, surpreendendo dentro de um estilo que teoricamente exige um custo astronômico.

A história é bem simples e repete quase todos os clichês de super heróis que conhecemos. Porém, o roteiro faz isso de maneira bem humorada, deixando claro que não tem a menor pretensão de ser inovador. Um segurança, depois de fazer seus exercícios diários, toma água contaminada por algum objeto misterioso que caiu do céu. Ganha poderes telecinéticos e vê aí uma grande oportunidade de mudar sua vida e, principalmente, sua relação com a filha.

Esse é um ponto de destaque do filme. Todas as motivações são extremamente reais e possíveis. Nada de salvar o mundo de alguém que quer dominá-lo, mas poder ganhar um dinheiro fazendo mágicas, ou então, depois de certa reflexão e amadurecimento, salvar uma rua comercial que está na mira de uma grande construtora vil e capitalista ( me lembrou muito o filme nacional Aquarius). Essa simplicidade e o diálogo com o mundo real é o que fazem de Psychokinesis um filme bom. O tempo todo ele está conversando com a realidade crua, o que cria uma empatia pelos personagens.

Esse estilo de contar histórias me agrada bastante. Sang-ho Yeon faz, nos seus dois filmes, o que Stephen King fez na maioria – para não falar todos – de seus livros. Não é difícil enxergar em Seok-heon a inesquecível Carrie. E é exatamente esse fator que talvez falte nos filmes atuais de Super Heróis. Eles estão muito distantes do que a nossa pequena pretensão pode chegar e isso, no meu caso, atrapalha a experiência de um bom filme

Psychokinesis é um bom filme e pode te divertir de maneiras muito surpreendentes. Nada de novo, mas se mostra bastante interessante e carismático dentro de sua simplicidade. E o melhor: Tem na Netflix!

Psychokinesis

7

Psychokinesis

7.0/10
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