Sabe aqueles dias que você se pega pensando sobre a vida? Você atravessa a madrugada (Porque será que é sempre de madrugada?) acordado pensando no passado e relembrando seus bons e velhos tempos de infância. Bem, foi em um dia desses que acabei me relembrando de alguns animes que particularmente me marcaram em momentos diferentes dessa minha jornada. Sim meus queridos e apreciados leitores, hoje vamos falar de 5 animes que valem a pena assistir, é uma recomendação pessoal e garanto que vocês não vão se arrepender, então fica confortável e vem com a gente.

Cowboy Bebop

Produzido pela Sunrise, escrito por Keiko Nobumoto e dirigido por Shinichiro Watanabe, Cowboy Bebop teve seu lançamento original na TV japonesa em 1998.
Com um misto de Ficção Cientifica, Aventura, Drama e Ação, o Anime acabou sendo premiado e aclamado pela crítica pela sua maneira de explorar com vigor questões existencialistas e conceitos filosóficos contemporâneos. De fato, algo que não é de se surpreender vindo de CB.
Se passando em 2071, ele conta a história dos protagonistas Spike, Jet, Valentine, Ed e Ein (Seu cachorro) que acabam meio que se unindo por motivos distintos, mas que juntos acabam formando uma grande equipe, se não muito mais que isso, pois o relacionamento entre eles denota facilmente a composição de uma família.
Bem, acontece que todos esses nossos amigos são verdadeiros Cowboys e essa acaba por ser sua verdadeira profissão. Mas perai, explica isso direito, tá legal, vamos lá;

O lance é que em 2071 a tecnologia avançou de maneira exponencial, o que possibilitou boa parte da população da terra se alastrar espaço adentro. Então meu amigo, se em um planetinha distante e pacato com tantas Leis e Regras como o nosso os seres humanos já aprontam mil e uma peripécias, imaginem se espalhando por diversas galáxias sem ter ninguém pra vigia-los. É ai que entra a ISSP (InterSolar System Police), a Policia que vai se encarregar de colocar toda a ‘marginalia’ atrás das grades. No entanto, se não temos efetivo nem pro nosso próprio planeta, como raios é que vamos achar tantos Policiais assim pra tomar conta de tantas galáxias? Pois é meus amigos, é ai que entram os Cowboys, que assim como no velho oeste, são caçadores de recompensas, só que ao invés de viajar de cavalos por desfiladeiros atrás de bandidos, nosso heróis cruzam o espaço em sua adorável espaçonave apelidada de Bebop, daí o nome do Anime; Cowboy Bebop.
Os personagens são extremamente distintos entre si, o que nos passa uma certa seriedade ao velos “contracenando”.
Spike é o protagonista, estiloso e calmo, ele se mantém sereno até que alguma situação desperte sua impulsividade, é também o piloto da nave e excelente atirador, além de lutar muito bem um estilo chamado Jeet Kune Do, clara referência ao estilo de luta do mestre Bruce Lee.
Faye é a inconstante e estonteante garota da equipe. Com um belo corpo e uma sensualidade incomum, ela usa de todas as suas artimanhas para conseguir o que quer se mostrando bem individualista, embora esconda de certa maneira um lado emotivo.
Temos também Jet que toma as vezes de cabeça da galera, talvez por ser mais velho. Ele é o mecânico e proprietário da nave Bebop.
Ed é uma menina prodígio, boa com computadores ela é quem faz as vezes de hacker da equipe sendo inseparável de seu cachorro Ein.
Se tem uma coisa que me irrita nas animações Ocidentais é o que chamamos de “Vilão do dia”. Não entendeu? Vamos lá; Você já deve ter assistido várias animações ocidentais, claro, Homem-Aranha nos anos 90, X-Men também nos anos 90. Você deve ter percebido que essas animações eram dividias entre episódios distintos, ou seja, cada episódio era meio que isolado um do outro, o que significa que ele se fechava por ali mesmo, usando essa técnica, as animações sempre nos apresentavam um vilão por episódio, era como se todos os dias na vida daquele personagem ele tivesse que enfrentar uma aventura ou um vilão, o que gerava um número absurdo de aventuras diferentes mas que tinham pouca ligação entre sí. Bem, o estilo de animação Oriental é bem diferente, em Cowboy Bebop, por exemplo, tínhamos eventos ocorrendo em um episódio, porém com seu desfecho vários episódios depois e ainda assim, sem um término propriamente dito para aquela circunstância, o que torna a aventura mais fluida e com um ritmo de continuidade excelente.
CB é um Anime que vai mexer com seu emocional, pois ele consegue lhe imergir de verdade dentro daquele universo apresentado, fazendo com que facilmente você crie um carinho e empatia pelos personagens, torcendo por eles, lutando suas lutas e sofrendo suas derrotas. Se você gosta de grandes aventuras, boas histórias e grandes doses de emoção, então confira Cowboy Bebop.

Noir

Tendo nascido para TV em 2001, Noir (Que é pronunciado como; Noar) é um anime com 26 episódios desenvolvidos pela Bain Train e sendo exibido no Brasil pelo extinto canal pago Animax.
Criado por Ryouei Tsukimura, mesmo criador de Tenshi Muyo in Love, houve boatos em 2010 de que o Anime seria adaptado pelo canal de TV por assinatura Starz para uma série em Live Action, algo que infelizmente nunca ocorreu (Pelo menos não que eu saiba, se alguém ai souber de algo escrevam na área de comentários).
O enredo do anime é o seguinte, temos duas garotas sem memória, uma delas é Mireille Bouquet (Sem piadas, eu sei que você tem a mente suja) uma loira assassina profissional e excelente no que faz. A outra é Kirika Yuumura, uma adolescente bem zuadinha que também não lembra de nada da sua vida, a não ser a palavra Noir. Kirika então resolve pedir Bouquet (Eu não resisti, sinto muito) que a ajude a desvendar todo esse mistério, juntas então elas vão trabalhar para resolver os enigmas que as cerca, chegando a um ponto em que perceberão que estão mais envolvidas nisso do que poderiam imaginar.

Noir é um anime bem diferente do convencional, aqui você não verá rajadas de energia, personagens voando, ou planetas sendo destruídos. Cada acontecimento no anime tem uma razão para estar ali, além é claro do desenvolvimento das personagens principais, que acabam sendo dirigidas pela cadeia de eventos como um fio condutor para a história.
Aliás, nem podemos dizer que o nome Noir passa atoa, pois não é forçar a barra dizer que o Anime tem sim em sua essência, um clima Noir extremamente envolvente, fazendo um perfeito paralelo com os filmes noir dos anos 50, com todo aquele clima sombrio, pouca iluminação e vez o ou outra uns jogos de fumaça.
A medida em que o Anime se desenvolve vamos notando os extremos entre as personalidades das duas protagonistas. Como se trata de um Anime de suspense e drama, não há muito o que dizer pois por qualquer deslize posso cometer um spoiler, o jeito é você conferir por si mesmo o Anime e voltar aqui pra dizer o que achou.

Samurai X (Rurouni Kenshin)

Ruroni Kenshin trata-se de um Mangá criado por Nobuhiro Watsuki e publicado pela primeira vez no Japão em 1994 (Aqui no Brasil só saiu em 2001 pela Editora JBC). O Mangá se estendeu por outras mídias, tendo gerado um Anime de 96 episódios (Sobre o qual falaremos aqui), alguns OVAs e até um Live Action lançado pela Warner em 2012.
Mais conhecido aqui no Brasil como Samurai X, o anime originalmente lançado em 1996 adapta as histórias do Mangá de uma maneira objetiva e honesta, embora sempre hajam haters que ficam afirmando que o Mangá é superior, como se tudo fosse uma grande competição.
Samurai X é um Anime de ação, contudo conta também com pitadas de drama, comédia e aventura. Se você nunca foi muito fã de história então relaxa, porque eu também sou péssimo, mas é inegável que absorvi muito mais do Anime tendo reassistindo-o depois de adulto, pois quando criança tudo o que eu queria ver era luta de espadas e sangue jorrando.
É valido lembrar que o Anime não adapta o Mangá por completo, sendo dividida em 3 partes, a série animada para TV só adapta o Mangá até o episódio 62, sendo que do 63 ao 95 (mais um especial) é tudo licença poética do Estúdio que desenvolveu o Anime.
Cansado de retalhar pessoas e com um grande crise de identidade, Kenshin Himura resolve que é hora de tentar um novo rumo para a sua vida. O cara era simplesmente conhecido com o Hitokiri Battousai (Battousai, o retalhador), um dos Samurais mais temidos e respeitados na Era Bakumatsu, antes da Era Meiji.
Arrependido pelo sangue em suas mãos, Kenshi tenta uma ‘reumanização’ e peregrina por 10 anos Japão adentro, até encontrar o Dojo Kamiya, onde vive Kaoru Kamiya, que futuramente viria a se tornar parte de um grupo (Está mais para família) de amigos que tem Kenshi como elo de ligação.

Com o passar do tempo, o Anime vai nos apresentando mais personagens como; Sanosuke e Yahiko que também moram no Dojo de Kamiya. Os personagens são vivos e carismáticos e com personalidades bem elaboradas e bastante distintas, o que por vezes nos leva a presenciar situações muito cômicas de discussões, como as brigas de Yahiko e Sanosuke e os ataques de fúria de Kamiya. Outra personagem apresentada é Megumi, que acaba servindo como uma vértice para fechar um triangulo amoroso com Kenshin e Kaoru.
O anime tem violência, ora, ele conta a trajetória de um Samurai conhecido como O Retalhador, o que mais poderia se esperar? No entanto para o desprazer dos mais conservadores (tipo aquela tia chata que acha que o moleque vai matar todo mundo por causa do Anime) este também passava valores muito fortes até hoje, como amizade, parceria, redenção e várias outras coisas que poderiam formar o caráter de alguém.
Samurai X, ou Ruroni Kenshin para os mais íntimos é um anime a moda antiga. Nada de luzes exageradas brilhando na tela, porradarias sem proposito ou humor forçado. Aqui tínhamos uma razão para tudo que acontecia ali e toda a trama era na verdade um plano de fundo para o desenvolvimento dos personagens, o que fazia com que acreditássemos que aquelas figuras era mais que um simples aglomerado de linhas e cores, eles eram reais dentro dos nossos corações.

Death Note

Escrito por Tsugumi Ohba e desenhado por Takeshi Obata, tendo sua primeira publicação em 2003, Death Note é o nome do Mangá que deu origem ao Anime homônimo.
A direção do Anime ficou por conta de Tetsurō Araki, sendo produzido pela Madhouse e indo ao ar pela primeira vez no Japão em 2006, com 37 episódios.
O enredo de Death Note é no mínimo curioso, imagine se você pudesse matar (no sentido de assassinato, mesmo) qualquer pessoa que quisesse, apenas escrevendo seu nome em um caderno, o que você faria? É meu povo, eu disse que o enredo era curioso. A trama conta a história de Light Yagami, um típico adolescente japonês gênio. O moleque é tão gênio que já não acha mais graça em nada (E olha que ele tá no Japão, hein? Terra do Hentai), tudo ficou meio boring diante de seu intelecto avançado.
O lance é que é o anime flerta um pouco com o Sobrenatural, como assim? Bem, o gatilho da trama tem um princípio sobrenatural, embora o enredo em si não valorize essa característica e se foque mais em Como isso afetaria o mundo real. Ainda não entendeu? Calma que eu explico; Shinigami são deuses da morte, o trabalho deles é escrever o nome dos mortais em um Caderno (chamado Death Note, ou Caderno da Morte em tradução livre) quando for a hora certa. No entanto, enquanto passeava em nosso mundo, um desses Shinigami chamado Ryuk, acaba deixando cair seu Death Note que é posteriormente encontrado por Light (Também chamado de Raito na dublagem original, japoneses e seu problema com a letra L). Ao “estudar” o caderno, o moleque pensa se tratar de algo falso, ao menos até ele comprovar através de sua primeira morte que a parada era mais verdadeira possível. O maluco escreve no caderno o nome de um sequestrador que ele estava vendo através de um desses Programas Policiais Ao Vivo ultra sensacionalistas da TV aberta. Depois de 40 segundos a jornalista afirma que o sequestrador sofreu um ataque cardíaco e morreu, a partir daí meus amigos, a história começa de verdade e vamos mergulhar fundo em um mundo de mentiras, enganações, suspense e muita loucura.
Quando comecei a assistir Death Note confesso que fiquei confuso, mas trazer esse tipo de questionamento é justamente a intenção do Anime, isso está em seu cerne. Embora de início deixamos um pouco de lado nossos princípios e valores morais para concordar com as ações de Light, que começa matando apenas criminosos, com o passar do tempo aprendemos a questionar até que ponto vão os direitos individuais do ser social e como o uso desses direitos poderia violar os de outrem ao ponto de termos um ser humano privando o outro de sua própria vida em função de um juízo de valor sobre a figura da vítima.
Death Note brinca com esse conceito de juiz, júri e executor que tanto vemos hoje em dia, principalmente no Brasil, onde temos jornalistas da TV aberta defendendo claramente o vingilantismo em pró do bem estar da sociedade. Ora, afinal de contas quem decide quem morre e quem vive? Os maus? Os bons? Será que alguém realmente deve decidir isso ou será que ninguém precisa morrer?
Essas são apenas algumas questões levantadas pelo anime, mas que nem de longe sequer arranham a profundidade da trama principal, que é tão densa e complexa que fica praticamente impossível de ser resumida aqui, de fato, merece uma conferida pessoalmente.
Como citei antes, embora tenha um fator místico e seja o próprio anime classificado como Suspense e Sobrenatural, esse fator é usado apenas como gatilho da história, interferindo de maneira ínfima no desenvolvimento da mesma, até mesmo porque fica claro durante o anime que os Shinigame não podem interferir na vida dos humanos, o que nos leva a excelentes cenas de debate entre Light e Ruyk, principalmente a primeira quando Ryuk o encontra em busca do seu caderno, onde Light pergunta;
Vai pegar minha alma ou coisa assim?
E Ryuk responde;
Ahn? O que é isso? Alguma fantasia que vocês humanos têm?
E é assim com sequencias sensacionais de diálogos, tramas muito bem amarradas, muito suspense e questionamentos éticos, filosóficos e morais que Death Note pode ganhar fácil o título de um dos melhores animes de todos os tempos.

Full Metal Alchmist

Escrito e ilustrado por Hiromu Arakawa, Full Metal Alchmist é originalmente um mangá que conta a história da aventura de dois irmãos em busca da tão famigerada Pedra Filosofal.
Entre 2003 e 2004 o mangá ganhou uma adaptação em Anime, também chamado Full Metal Alchmist com 51 episódios, sendo que em 2009 foi relançado outro anime chamado Full Metal Alchmist Brotherhood com 64 episódios, esse último tinha a características de se aproximar mais do mangá que o anterior, contudo, falaremos aqui da essência de FMA.
O enredo de FMA sempre foi o que mais me chamou a atenção, pois em meio a tantos animes sobre robôs gigantes e batalhas épicas com armaduras, o anime de Arakawa viria nos apresentar uma história completamente nova, cheia de aventuras com pitadas de terror (dependendo de qual versão você assista), porém com uma densidade muito grande debatendo com excelência os temas a que se propunha.
Ambientado no que parece ser uma Europa Steam Punk Pós-Revolução Industrial, o anime conta a história dos irmãos Euric, que foram abandonados pelo pai ainda pequenos e perderam a mãe para uma doença grave.
No mundo de FMA não existe a ciência como a conhecemos em nossa realidade, lá eles usam a Alquimia, uma espécie de Ciência que mais se parece magia e que é capaz de feitos impressionantes como transmutar matéria inanimada e dependendo da ocasião, até mesmo tecidos orgânicos. Porém não pense que você pode sair por ai transmutando tudo a sua vontade. É necessário ser um Alquimista para ter o conhecimento necessário para tais feitos e mesmo assim, há uma regra muito séria dentro da alquimia;
“Tudo neste mundo pode ser explicado com base na alquimia. A Lei da Troca Equivalente. Direitos são dados no preço do dever.”Edward Elric
“Nada pode ser obtido sem uma espécie de sacrifício. Para se obter algo é preciso oferecer algo em troca de valor equivalente. Esse é o princípio básico da alquimia, a Lei da Troca Equivalente. Naquela época, nós acreditávamos que essa fosse a lei absoluta.” Alphonse Elric
No entanto diante da morte de sua amada mãe, os irmãos Elric ignoram completamente tais leis e tentam realizar uma transmutação humana (Tentam ressuscitar sua mãe), violando completamente todas as leis da alquimia. O resultado? Bem, eles trazem à vida uma figura extremamente bizarra que nem de longe lembra sua genitora, em troca Edward perde um braço e uma perna enquanto seu irmão Alphonse perde o corpo inteiro durante o processo em que seu irmão mais velho se vê obrigado a prender a alma de seu irmão em uma armadura para que não o perdesse para sempre.

É assim que começa a jornada dos dois jovens em busca de mais conhecimento e respostas para suas perguntas, uma aventura sensacional e emocionante que vai nos levar a questionamentos filosóficos que talvez nunca tenhamos tido antes.
De fato FMA (a versão Brotherhood) não foi eleita o melhor anime de todos os tempos atoa. Com personagens carismáticos e densos e uma história complexa e com muitas camadas, o anime consegue nos imergir dentro daquele universo nos fazendo viver pelas regras do mesmo. Durante todo o anime temos um show de questionamentos filosóficos sobre fé, crença e o existencialismo humano. Mas não pense que FMA faz isso de maneira superficial e jogada, o que temos aqui é uma abordagem séria e comprometida de todos esses temas.
Mas o anime não é apenas um show do ponto de vista da trama, ele também conta com uma excelente trilha sonora, como é o caso de Gain, música de abertura de Brotherhood.
Se lembrar é viver, tenham certeza que enquanto escrevia esse pequeno pedaço de texto eu vivi FMA mais uma vez, de fato, é uma experiência tão marcante que merece ser compartilhada com vocês.

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