Algumas notas soltas num piano, aparentemente desconexas, é assim a introdução de “Rossz Csillag Alatt Született”, que traduzido do húngaro seria algo como “Nascido sob a Estrela Errada”, álbum do músico canadense Venetian Snares (nome artístico de Aaron Funk).

Antes de falar mais sobre o álbum em si, se faz necessário falar um pouco sobre o estilo musical de Venetian Snares, o “breakcore”. Breakcore é um dos vários sub gêneros da música eletrônica, suas principais características são o alto uso de samples em uma batida acelerada e imprevisível, abusando de baterias eletrônicas e gerando sons a partir das “quebras” dessas batidas, criando assim músicas que são resultados de várias camadas sonoras simultâneas, que somam baterias eletrônicas aceleradas, samples variados como sons de videogame e circuitos eletrônicos (o que diversas vezes nos dão a sensação que a música possui algum “erro”, alguma interferência, algum glitch) e, no caso do álbum do qual estamos falando aqui, música clássica.

E é justamente nessa amalgama de samples de músicas clássicas e programação de músicas eletrônicas que é trabalhado o álbum de Venetian Snares, que, para evitar de escrever aqui palavras húngaras em excesso, chamaremos apenas de “Nascido sob a Estrela Errada”. A ideia do álbum aliás, segundo o produtor, veio de uma viagem que o mesmo fez à Hungria, por isso tanto o nome do disco quanto de todas as faixas se encontram em húngaro.

Agora vamos ao disco em si. Logo no início podemos ter uma ideia do há por vir, passando a faixa de introdução, que possui apenas algumas notas de piano que seguem uma sequência pouco harmoniosa, somos apresentados à vários samplers de músicas clássicas ao longo do disco, passando de Stravinsky à Paganini, entre outros, mas não se limitando apenas à esse gênero, como também buscando referências no jazz para criar toda a caoticidade sonora eletrônica por cima disso.

Porém, toda a caoticidade presente na música dificilmente chega a incomodar, toda a atmosfera do disco é criada do zero a cada música, começando lentamente seja com violinos, pianos ou um beat sequencial, para que sejam acrescentadas camadas aos poucos, assim o ouvinte desavisado em poucos minutos já está introduzido à o que é esse álbum, um choque entre gêneros que vai acontecendo aos poucos para que as sonoridades se encaixem, e para que você possa perceber isso. Tanto que nem todas as faixas possuem essa “imprevisibilidade” característica do breakcore, algumas são só violinos ou pianos acompanhados por sintetizadores que só estão ali para oferecer um suporte, outras já possuem toda uma construção quase de transição, onde toda uma gama de sons “virtuais” são inseridos progressivamente mudando completamente a estrutura da música porém ainda assim conseguindo de certa forma preservar sua essência.
De qualquer forma, creio que o disco agradará fãs de música eletrônica habituados com experimentações, mas não chega a ser algo difícil de ser apreciado por ouvintes que não sejam acostumados à esse tipo de música.

O disco está presente tanto no bandcamp (clique aqui), como também pode ser ouvido no spotify:

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